Uma pesquisa sobre o perfil dos acidentes por animais peçonhentos, no Brasil, durante o século 21, recebeu menção honrosa durante o 45° Congresso da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical, na edição de 2009. O estudo foi desenvolvido pela pesquisadora do Instituto de Comunicação e Informação Científica e Tecnológica em Saúde (Icict), da Fiocruz, Rosany Bochner. De acordo com o trabalho, o atendimento a pessoas envolvidas em acidentes com escorpiões dobrou entre 2001 e 2006, o que justifica investir em estratégias mais efetivas de produção e divulgação de materiais educativos. Além da apresentação no Congresso de Recife, o projeto foi exposto em novembro de 2008, na França, no 16° Encontros em Toxinologia, e teve seu trabalho divulgado em uma publicação da Sociedade Francesa para o Estudo das Toxinas (SFET).
O projeto foi direcionado para as cinco grandes regiões brasileiras e realizou um estudo aprofundado para entender o que realmente acontece no País com relação aos acidentes por animais peçonhentos. Os dados foram organizados por faixa etária, sexo, escolaridade, tempo decorrido entre o acidente e o atendimento e o gênero do animal envolvido. “Levamos em consideração não apenas o Brasil como um todo, mas as características das regiões brasileiras, com a abordagem de questões econômicas, demográficas e ambientais de cada uma”, afirma Rosany.
Através dos dados disponibilizados pelo Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan), a pesquisa traçou a mudança epidemiológica ocorrida com os escorpiões a partir de 2004, em que o número de acidentes escorpiônicos ultrapassou o de serpentes. “Apesar de ter mais acidentes com escorpiões no Brasil, nas Regiões Norte e Centro-Oeste ocorrem mais acidentes com serpentes. Na Região Sul, predominam os acidentes por aranha marrom”, explica a pesquisadora.
Um artigo em inglês está sendo preparado para ser publicado no exterior, a fim de expor a real incidência desses acidentes no Brasil, país que apresenta situações diferentes em suas cinco regiões geográficas. Rosany afirma que não é correto usar os números de uma região para simbolizar o Brasil como um todo, já que no Sul, por exemplo, as estações do ano são bem definidas, ao contrário do Nordeste.
A pesquisadora destaca que o trabalho foi feito em conjunto com a pesquisadora da Escola Nacional de Saúde Pública Sérgio Arouca, Judith Tiomny Fiszon, e que a integração entre as unidades é extremamente importante para a Fiocruz. “O prêmio não é apenas meu, mas do trabalho desenvolvido por nós duas. A menção representa um reconhecimento ao trabalho. O mais interessante é o fato de estarmos analisando dados públicos do Sinan, ou seja, números que podem ser vistos e analisados por qualquer pessoa”, finaliza Rosany.
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