RECIIS publica análises sobre a nova política das plataformas digitais e usos na Saúde

por
Roberto Abib (Reciis)
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31/03/2025

Arte: Luciana Clua (Multimeios/Icict/Fiocruz) | Foto: Cortadora de cana-de-açúcar em frente ao canavial de uma usina de biocombustível, açúcar e etanol - Acervo João Roberto Ripper (Fiocruz Imagens/Icict/Fiocruz)

No primeiro número de 2025, a RECIIS apresenta análises de pesquisadores sobre as mudanças na política das plataformas digitais, as dependências do Brasil às tecnologias das Big Techs e os usos das Tecnologias de Comunicação e Informação (Tics) no âmbito da Saúde. A edição inaugura uma série das capas de 2025 do periódico, composta pelas fotografias de João Roberto Ripper. O acervo doado à Fiocruz está disponível em acesso aberto no portal Fiocruz Imagens. A RECIIS (Revista Eletrônica de Comunicação, Informação & Inovação em Saúde) é editada pelo Instituto de Comunicação e Informação Científica e Tecnológica em Saúde da Fundação Oswaldo Cruz (Icict/Fiocruz). 

Em Notas de Conjuntura, Rafael Evangelista analisa as mudanças nas políticas dos produtos da Meta, como as plataformas digitais Facebook e Instagram. Entre as mudanças estão o abandono das colaborações das agências de checagem de fatos e a flexibilidade na moderação de conteúdos, o que permite o espalhamento de desinformação, discurso de ódio e extremista. Tal mudança se relaciona com a ascensão da influência de empresários do Vale do Silício na política estadunidense.  

De acordo com o autor, a lógica que envolve as redes sociais para o Vale do Silício tem como critério principal o alto potencial de viralização, como ocorre com conteúdos polarizadores e sensacionalistas, gerando lucros para as empresas, as quais não são responsabilizadas pela autoria de tais produtos.  

Outra dimensão dessa lógica se refere à previsão da atenção dos usuários, o que cria uma arquitetura invisível de controle de escolhas, de comportamentos, de extração e monetização dos dados e do lucro. Trata-se de um pensamento neoliberal em que a ilusão de liberdade atende a um consumo incessante, à extração veloz de recursos naturais, à exploração máxima do trabalho e a instabilidades políticas, corroendo o Estado por dentro.  

Rafael Evangelista argumenta que as propostas de soberania e transformação digital do Brasil ainda ficam dependentes das grandes empresas de tecnologia do Vale do Silício. Com menos investimento, o autor propõe pensar numa forte coordenação e planejamento para minimizar a dependência tecnológica a fim de não ficarmos “à mercê dos rompantes erráticos de Musk e das crises de meia-idade de Zuckerberg”.

Saúde e os usos das tecnologias de comunicação e informação  

Na seção artigos originais, Montanholi et al.  analisam as publicações de educação em saúde infantil e materna na página do Facebook do Ministério da Saúde de Cabo Verde. A partir da pesquisa, considerou-se que parcerias do órgão com instituições de ensino superior podem contribuir na construção e validação de materiais educativos, ampliando o uso da plataforma Facebook voltado à educação em saúde infantil e materna.  

Xavier et al. analisam as imagens da deficiência inscritas em cartazes de campanhas de saúde, publicados entre 1988 e 2020, pelo Ministério da Saúde do Brasil. Os resultados reforçam a invisibilidade da pessoa com deficiência devido à falta de campanhas e cartazes de saúde relacionados ao tema de maneira adequada e consonante às organizações de saúde, movimentos sociais e sociedade civil atentos às políticas das pessoas com deficiência.  

Em relação aos usos das tecnologias de comunicação e informação na Saúde, Alves-Zarpelon et al. descrevem um protocolo de teleconsulta farmacêutica voltado para pacientes com asma. Em outro artigo original, Martins et al. caracterizam o processo de fiscalização sanitária de medicamentos vendidos na internet, como emagrecedores e anabolizantes, e analisam o perfil das medidas sanitárias determinadas pelos órgãos reguladores. O estudo constatou propagandas e a comercialização indevida na internet de tais medicamentos, contrariando a legislação sanitária do Brasil.  

Em outra pesquisa, Sthéfano Bruno Santos Divino e Isabela Gonçalves Almeida discutem sobre a ética e a responsabilidade civil sobre o uso de procedimento cirúrgico roboticamente assistido (Robotically Assisted Surgery – RAS).  

Ainda na seção de artigos originais, Faria et al. exploram os possíveis efeitos da implementação dos sistemas regulatórios no Rio de Janeiro em relação às características sociodemográficas e clínicas de pacientes com câncer de colo do útero; e como a implementação de tais sistemas influenciou o acesso geográfico aos serviços de saúde e as distâncias percorridas para tratamento por pacientes com câncer de colo do útero no Rio de Janeiro.  

Em outro estudo publicado neste número, Luiza Vieira Xavier et al. partem da perspectiva dos usuários para conhecer o processo de comunicação com a equipe de saúde num ambulatório de oncologia. A pesquisa aponta como conclusão a existência de uma persistente hegemonia biomédica e a verticalização dos saberes, contribuindo para o silenciamento dos usuários. 

Lacerda et al. analisam matérias jornalísticas sobre mudanças climáticas na perspectiva da bioclimatologia da Amazônia brasileira. Os resultados identificaram a maior frequência de notícias sobre mudanças climáticas na Amazônia brasileira associadas a grupos vulneráveis, como povos indígenas, comunidades ribeirinhas e tradicionais, e aqueles situados em zonas periféricas urbanas, demonstrando a importância do jornalismo na formação da percepção pública sobre essas questões. 

Saúde, meio ambiente, gênero e sexualidades 

Na seção Entrevista, Isaltina Mello Gomes narra sua trajetória no campo da Divulgação Científica e comenta que o interesse público pelas pesquisas e popularização da ciência ocorreram durante as guerras, emergências sanitárias e problemas ambientais. Por isso, reforça que a divulgação científica em Saúde e Meio Ambiente, principalmente, é fundamental para a promoção da vida da população. 

Na seção Resenha, Dom Condeixa analisa o filme ‘Homens invisíveis’, roteirizado e dirigido por Luís Carlos de Alencar. Para o autor, documentários como ‘Homens Invisíveis’ iluminam corpos, vidas, histórias e “realidades repetidamente ignoradas, provocando reflexões sobre temas sociais, políticos e/ou culturais”.  

Em editorial, a coordenadora da RECIIS, Maria Elisa Luiz da Silveira compartilha os esforços e resultados da revista ao longo de 2024, como o aprimoramento da política editorial, a atualização de instrumentos que conferem segurança jurídica aos conteúdos publicados e o apoio às infraestruturas de tecnologia para ciência aberta. Conforme a coordenadora do periódico, tais ações dialogam com as discussões da instituição no que se refere aos 10 anos da Política de Acesso Aberto da Fiocruz, celebrado em 2024. A comemoração promoveu avaliações e atualizações, como por exemplo, a atualização da própria Política de Acesso Aberto ao Conhecimento da Fiocruz, disponível no repositório do Arca:  https://www.arca.fiocruz.br/handle/icict/68656 

Em associação à capa deste número, mês do Dia Internacional da Mulher, a coordenadora da RECIIS diz se mover para eliminar barreiras ao conhecimento científico, dando materialidade à política de acesso aberto da instituição; seguindo na labuta e sorrindo. As capas dos números de 2025 fazem parte do acervo do fotógrafo João Roberto Ripper, disponível em acesso aberto no portal Fiocruz Imagens: https://www.fiocruzimagens.fiocruz.br   

A RECIIS é uma das iniciativas da Política de Acesso Aberto e não cobra taxa de processamento de artigos. Ela faz parte do Portal de Periódicos Fiocruz junto a outras oito publicações que oferecem livre acesso aos seus conteúdos. 

Clique aqui e acesse na íntegra a edição v. 19 n. 1

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